Museu do Charque - Histórico

A proposta de criação do Museu do Charque surgiu no inverno do ano de 1993. Seus idealizadores foram a Arquiteta e Urbanista Ediolanda Liedke e o médico veterinário José Antônio Mazza Leite. A idéia logo tomou corpo, tendo apoio imediato da arquiteta Glenda Pereira da Cruz, do historiador Carlos Reverbel e do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas.

O Museu do Charque foi concebido tendo por finalidade criar, implantar e manter um centro bibliográfico, documental museológico, bem como, incentivador de pesquisas, que visasse resgatar e divulgar a história do CICLO DO CHARQUE, na formação e desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul. Os idealizadores, em 1993, entregaram o documento, proposta de criação do Museu, ao Ministro da Cultura Jerônimo Moscardo, que apoiou a idéia, quando de sua visita ao prédio referido, a convite dos mesmos. Este documento, elaborado por Ediolanda e José Antonio, contém apresentação do historiador de Pelotas, Mário Osório Magalhães e desenhos da Arquiteta Glenda Pereira da Cruz.

Em setembro de 1994, foram realizados em conjunto com estudantes de jornalismo da Faculdade dos Meios de Comunicação Social/FAMECOS da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/PUC, na disciplina de radiodifusão, três programas de 15 minutos cada, que passaram a ser veiculados na rádio FM Cultura, Rádio Universidade (UFRGS) e Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Estes programas visavam a apresentar e divulgar o Museu do Charque.

Em julho de 1995, aconteceu na Sala Guilherme Litran, situada na Praça Coronel Pedro Osório nº 6, em Pelotas, apresentação dos propósitos do MUSEU DO CHARQUE e de sua entidade mantenedora, a FUNDAÇÃO MUSEU DO CHARQUE. A exposição, organizada a partir de pesquisa histórica sobre o ciclo do charque no Rio Grande do Sul e da proposta de criação do Museu e da Fundação, (documentos elaborados por Ediolanda Liedke), foi montada pelos alunos dos cursos de Biblioteconomia e Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a coordenação da Professora Enoí Dagô Liedke. Durante dois semestres, os alunos dedicaram-se a este objetivo, buscando patrocínio junto a AZEVEDO, BENTO S.A., ARCHI DESIGN e BRAGA E BOFF LTDA - ME.

Além de executar os painéis de exposição, convites, peças de divulgação e de organizar o coquetel de abertura da exposição, organizaram, divulgaram e promoveram todo o evento. O convite teve gravura da série "Xarqueadas" de 1953, cedida pelo artista plástico Danúbio Gonçalves. A exposição teve um desenho do artista plástico Joaquim da Fonseca especialmente elaborado, a pedido das alunas. Em 7 de julho de 1995, finalizando o evento, instituiu-se, em assembléia, a FUNDAÇÃO MUSEU DO CHARQUE e, durante a semana do evento foram retransmitidos pelas rádios de Pelotas, os três programas das alunas da FAMECOS da PUC. O evento fez parte do calendário da SEMANA DE PELOTAS, realizada de 1º a 7 de julho de 1995. A mesma exposição esteve no vestíbulo da Prefeitura Municipal de Pelotas e na Escola Técnica Federal de Pelotas, em 1996.

Em 13 de março de 1996, realizou-se reunião para debater e colocar em aprovação a minuta dos Estatutos da FUNDAÇÃO MUSEU DO CHARQUE, no salão principal da Casa de Cultura João Simões Lopes Neto, em Pelotas. Em 14 de novembro de 1996, o Serviço Social da Indústria do Rio Grande do Sul/SESI através de seu diretor regional, Roberto Brauner Penteado, assinou convênio com o Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas/IHGPel para repassar recursos que viabilizassem a implantação do Museu do Charque.

A segunda exposição foi elaborada a partir das dez gravuras da série "Xarqueadas", de Danúbio Gonçalves, que o artista produziu em Bagé, no ano de 1953, em técnica gráfica de xilogravura de topo. Danúbio cedeu, as gravuras e os desenhos, alguns a lápis, outros em bico de pena, sendo alguns aquarelados de seus cadernos de estudos, que deram origem à série, para serem reproduzidos e integrarem o acervo do Museu.

Foram elaborados oito painéis para a exposição, um contendo a trajetória do artista e os demais contendo as gravuras como elemento central. No entorno de cada uma delas, os desenhos dos cadernos de estudos que deram origem a cada uma das gravuras, registros feitos a partir de observação, na última charqueada em atividade na cidade de Bagé. Estas gravuras e desenhos são um importante documento histórico e artístico de preservação da memória das charqueadas, pois registra os últimos momentos do processo produtivo artesanal do charque.

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