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19|09|08 , 13:40

A visita Presidencial

19 de setembro de 2008 | ZERO HORA

VISITA PRESIDENCIAL

Uma manhã na antiga charqueada pelotense

Horas antes de se dirigir ao Porto de Rio Grande para participar do batismo da plataforma P-53, ontem pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conhecer os jardins e as demais instalações da pousada Charqueada Santa Rita, em Pelotas, local onde havia pernoitado.

 

Dia de inauguração e assédio

 

Foram 12 horas de espera. Nas mãos, a camareira Ana Cristina Garcia, 33 anos, carregava uma foto tirada ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral de Pelotas, em 2000. Oito anos depois, faltava um autógrafo do ídolo que virou presidente.

Na noite de quarta-feira, Ana caprichou na arrumação da cama e escolheu as frutas para pôr em cima da mesa do quarto presidencial, na Charqueada Santa Rita, em Pelotas. A esperança era encontrar o hóspede mais ilustre. Não deu. Quinze minutos antes da chegada de Lula, às 0h45min de ontem, um segurança impediu o acesso.

Lula ia dormir. Desistiu e resolveu cumprimentar os funcionários da pousada que o esperaram o dia inteiro e visitar o Museu do Charque, que fica dentro da propriedade. Não permitiu fotos e não quis jantar. Só depois entrou no quarto. Horas mais tarde, foi um dos primeiros a levantar.

– Que lugar maravilhoso– suspirou Lula ao acordar.

E acrescentou:

– Mas senti muito calor com todas essas lareiras ligadas.

Por volta das 7h de ontem, quase sem dormir, Ana entrou no salão de eventos, onde ocorreriam gravações de Lula em favor de candidatos a prefeito do PT, para servir café.

Sozinha com Lula, a camareira não resistiu:

– Sempre fui sua fã. Autografa a nossa foto?

Ele olhou e respondeu:

– Esses não somos mais nós. Precisamos renovar a foto mais tarde.

A espera valeria a pena. Às 9h, Lula burlaria a segurança e puxaria a camareira para duas novas fotos. 

Na madrugada, o presidente já havia vencido o cansaço para atender aos desejos do público. Mais de duas horas depois do horário previsto para pousar no Aeroporto de Pelotas, às 0h19min de quinta-feira Lula desembarcou do avião e se surpreendeu com dezenas de militantes que ainda o aguardavam em meio ao frio. Passados seis minutos, olhou no relógio e indagou a Olívio Dutra, presidente estadual do PT:

– Esse pessoal não tem sono?

– Os nossos companheiros não dormem – disse o petista, que acompanhou a agenda oficial e foi um dos únicos a conversar reservadamente com o presidente.

Lula tinha pressa. Diante da insistência de Olívio para que se aproximasse do grupo que o aguardava no portão principal do aeroporto, o presidente cumprimentou rapidamente os militantes. Pela manhã, às 10h8min, estouraria o espumante gaúcho Miolo rosé brut no casco do navio para dar sorte no batismo da plataforma P-53.

Presidente destacou sacrifício de operários

Não foi de primeira que a garrafa quebrou. O batismo se deu na segunda tentativa. Sob gritos de operários, Lula subiu no palco para destacar o sacrifício dos trabalhadores em construir a plataforma com tecnologia nacional. Após a cerimônia, distribuiu autógrafos e deixou-se fotografar por dezenas de câmeras.

– A gente só constrói uma nação se acreditar e persistir. Sem essa determinação, nós não passaríamos de um país grande e importante, mas chorão – discursou Lula.

Em um dos momentos mais prazerosos, como definiu, o presidente se deu ao luxo de criticar os americanos que sempre deram “palpites” se o Brasil era ou não confiável e agora vivem uma crise financeira.

Ao terminar o discurso, o presidente prometeu voltar quando a P-55 estiver pronta, talvez em 2010. Minutos depois, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, conhecida como a “mãe do PAC”, ser uma das protagonistas da entrevista coletiva junto com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Enquanto Dilma falava que o Brasil está maduro para enfrentar uma eventual recessão nos Estados Unidos, Lula circulava entre operários e relaxava. Chegou a ganhar uma camiseta com a imagem da plataforma lançada ao mar. Não queria falar em eleições, justificando que o presidente não pode se “intrometer” nos mais de 5 mil municípios. Mesmo assim, abraçou e posou para fotos com candidatos do PT.

– Dilma, dá tchau aos jornalistas e vem logo – insistiu Lula às 12h20min de ontem.

– Vou indo porque o presidente me chama – despediu-se a ministra.

Após 12 horas de visita em solo gaúcho, os dois partiram para São Paulo.

– Meu coração disparou e as minhas pernas tremeram – repetia Ana na pousada a quem chegava.

 MARCIELE BRUM E NAURO JÚNIOR

 
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